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Rafael Yôkô
[05/09/2008 - 08:22:07]
NÃO É DEMAIS 40MIN?
"Um dia, um monge assistente disse ''Alguns praticantes na sala de meditação acabam ficando cansados, e adormecem com isto. Alguns certamente perdem seus desejos de ganhar o Caminho. Temo que isto esteja ocorrendo porque o período de zazen seja longo demais. Sugiro a redução da duração do tempo de meditação''
"Ouvindo tal, o mestre ficou deveras preocupado, e comentou ''Creio que nunca ouvi algo de tão equivocado, quanto o que acabaste de dizer. Quando os praticantes não têm desejo pelo Caminho, dormirão onde puderem, enquanto que os praticantes sinceros praticarão tanto mais, quanto maior for a duração do zazen. Quando eu era jovem e visitava mestres Zen pelo país inteiro, um deles me aconselhou a ser severo com os praticantes mas outros são lenientes, não os encorajando para a prática do zazen. Eis aí a razão por que o Buddhismo está tão decadente hoje em dia''. Então tenha certeza que eu vou ser cada vez mais exigente"
[31](extraido de"Shobogenzo Zuimonki"de Eihei Dogen Zenji)
Rafael Yôkô
[04/09/2008 - 07:56:45]
BUSCAR A ILUMINAÇÃO NO ZAZEN É COMO BUSCAR UM ESPELHO ESFREGANDO UM TIJOLO
"Nan-yueh esfregou um tijolo na presença de seu discípulo Ma-tsu e disse: ''Vou esfregá-lo até que se torne um espelho''. Com esta observação ele queria advertir Ma-tsu contra seu desejo de se tornar Buddha através da prática de zazen, não de dissuadi-lo de praticar zazen.
"Praticar zazen é fazer a ação de Buddha — a ação absoluta, A APARIÇÃO DE NOSSA VERDADEIRA IDENTIDADE. Onde mais podemos procurar o Caminho exceto neste zazen?"
[28](extraido de"Shobogenzo Zuimonki"de Eihei Dogen Zenji)
Rafael Yôkô
[03/09/2008 - 08:17:02]
SOMOS O BUDDHISMO, NÃO PRECISAMOS PROCURÁ-LO FORA DE NÓS
Um dia eu perguntei"Se nós praticantes Zen, crendo firmemente nas palavras — Nós mesmos somos o Buddhismo, e assim não precisamos procurá-lo fora de nós — com isto desistirmos da prática e passarmos a vida fazendo o que bem entendermos, o bem e o mal, o que acharias a respeito?"
MEU MESTRE respondeu"Isto demonstra uma grande diferença entre as palavras e o que as palavras significam. Se, com o pretexto que não precisamos procurar o Buddhismo fora de nós mesmo, não nos submetemos à disciplina física e mental do Buddhismo, procuramos algo, negligenciando-o. Mas com isto não quero dizer que não devemos buscar o Caminho. Compreendendo que a prática é originalmente o Buddhismo mesmo, devemos nos refrear de fazer o mal, sem buscar recompensas por isto, nem de participar de assuntos mundanos mesmo que queiramos. E nunca nos aborrecendo com nossa prática, devemos praticar o Caminho de todo coração. Podemos às vezes obter os frutos da mesma, mas devemos manter a prática livre da idéia de obter algo em troca. Este é o verdadeiro significado do dito acima''não necessitamos procurar o Buddhismo fora de nós mesmos''.
Praticar zazen é fazer a ação de Buddha — a ação absoluta, a aparição de nossa verdadeira identidade. Onde mais podemos procurar o Caminho exceto neste zazen?
[27](extraido de"Shobogenzo Zuimonki"de Eihei Dogen Zenji)
Evandro Seidô _/\_
[02/09/2008 - 20:18:38]
Compreendeis o Budismo?
Um monge perguntou a Hui-neng (o Sexto Patriarca Zen):
"Quem herdou o espírito do Quinto Patriarca?"
Hui-neng respondeu:
"Aquele que compreende o Budismo."
"Teríeis então vós herdado este espírito?" quis saber o monge.
"Não," replicou o mestre. "Eu não o herdei."
"Por que não?!?" o monge, naturalmente pasmo, perguntou então.
"Porque não compreendo o Budismo." Afirmou Hui-neng.
Koan: Vós compreendeis o Budismo?
Conto Zen
Evandro Seidô /\
[01/09/2008 - 17:42:45]
A Pedrinha no Bambu
Hsiang-yen fui discípulo de Pai-chang. Era uma pessoa muito inteligente, e sempre confiou na presunção de que se estudasse e absorvesse todo o conhecimento dos termos e textos buddhistas, seria um entendedor do Zen. Após a morte de seu mestre, ele dirigiu-se a Kuei-shan - que era o mais antigo discípulo de Pai-chang - para que este lhe orientasse. Mas Kuei-shan comentou:
"Soube que estiveste sob a orientação de meu antigo mestre e falaram-me de tua notável inteligência. Tentar compreender o buddhismo através deste meio leva geralmente a uma compreensão analítica, que em si nada tem de útil, mas que pode indiretamente levar o praticante a uma intuição do sentido Zen. Por isso, eu lhe pergunto: como tu eras antes de teus pais terem lhe concebido?"
Hsiang-yen ficou pasmo, sem saber o que dizer. Pediu licença e foi para seu quarto, e procurou em todos os textos e conceitos uma resposta para a estranha questão. Não foi capaz, e voltou ao outro monge. Pediu-lhe para ensinar sobre o sentido do que quis dizer, e Kuei-shan perguntou:
"Sinto muito, mas nada tenho a lhe dar. Tu sabes mais do que eu, e se nós debatêssemos com certeza eu ficaria em dificuldades. Tudo o que eu lhe pudesse dizer pertence às minhas descobertas pessoais e jamais poderia ser teu."
Hsiang-yen ficou desapontado e achou que o monge mais velho lhe estava escondendo algo deliberadamente. Resolveu partir do templo, e buscar o conhecimento através dos livros e conceitos, pois achava que na verdade o seu conhecimento não era suficiente, e por isso o outro não quis lhe responder. Foi morar em um eremitério e passou a estudar com afinco. Após vários anos, achando-se suficientemente conhecedor dos conceitos buddhistas, voltou a Kuei-shan. Este, quando ouviu suas doutas explicações e sua solicitação por orientação, apenas sorriu e nada disse. Virou-se e foi embora.
Hsiang-yen ficou irritadíssimo. Naquele momento tomou uma decisão, destruiu todos os seus textos e resolveu desistir dos estudos, ainda que já fosse um grande intelectual. Ele pensou: "Qual a utilidade de estudar o buddhismo, se este é tão sutil e se é tão difícil receber instruções de outrem? Serei agora um simples monge praticante, e desisto de entender qualquer coisa!"
Abandonou o templo e suas cercanias, construiu uma cabana próxima à sepultura de Chu, o Mestre Nacional de Nan-yang, e passou a viver uma vida simples longe dos estudos e questões.
Certo dia, estava varrendo o chão de sua casa quando a vassoura tocou numa pedrinha, que rolou e bateu em um bambu. Em meio ao silêncio, o som ecoou suavemente. Ao ouvir este som, Hsiang-yen experimentou o Satori, e finalmente compreendeu o que tinha lhe dito Kuei-shan. Ele então ajoelhou-se e silenciosamente fez uma reverência de agradecimento ao sábio monge.
Conto Zen
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