:: BLOG DA SANGHA

Rafael Yôkô [21/11/2008 - 20:55:20]


ORIGEM DOS PRECEITOS
Somos incapazes de levar a cabo nossa prática, como insta o Buddhismo e então colocamos nossa meta buddhista para uma existência futura, enquanto nos limitamos no presente a laços meramente formais com o ensinamento e os regulamentos buddhistas. Este é o começo mesmo do pensamento errado que tanto nos impede de nos realizar nesta vida. É um pensamento lamentavelmente equivocado.
"A cada ciclo é um expediente, de se expressar em três épocas: Buddhismo correto, buddhismo formal e buddhismo decadente. Nem todos os praticantes tempo de Buddha eram admiráveis. Alguns eram de todo incuráveis e irrecuperáveis. Foi para este tipo de pessoa que o Buddha Shakyamuni estabeleceu aquela infinidade de mandamentos e preceitos. Todos temos plena e total capacidade de ganhar o Caminho buddhista; então devemos evitar o pensamento de que não estejamos à altura da prática buddhista. Praticando segundo nos aconselham os buddhas e ancestrais, podemos alcançar nossa meta, a iluminação, imediatamente. Possuímos já o discernimento, podendo distinguir o certo do errado. Fomos dotados de pés e mãos, podemos então avançar Caminho afora. Logo a prática buddhista está aberta ante a todos, sejam estultos ou argutos. Nós praticantes Zen não devemos jamais aguardar o amanhã. Devemos treinar o Buddhismo hoje mesmo, neste minuto, agora.
[12Cap4](extraido de"Shobogenzo Zuimonki"de Eihei Dogen Zenji)

Rafael Yôkô [20/11/2008 - 13:10:01]


O QUE É BOM OU MAL?
Não há uma definição clara sobre o que é bom e o que é mau. No mundo, dizem que belas estamparias, brocado e seda fina são excelentes, e que roupas pobres são evidência de falta de respeito próprio. Mas no Buddhismo o que é pobre é bom e puro, e os tecidos confeccionados com fios de ouro e prata, o brocado e a seda são nocivos e impuros. No Buddhismo é tudo assim, diametralmente oposto ao mundo.
"Quanto a mim, sei que tenho talento para poesia e literatura, e que escrevo razoavelmente bem. Alguns leigos crêem que isto vem a ser um dom muito especial; enquanto outros me criticam por tal, achando que isto não é próprio de um autêntico monge. O que estará definitivamente certo ou errado, o que é bom ou mal?
"Há uma passagem num certo Sutra:''Daquilo que é bem falado e considerado, resulta o bem; e daquilo mal falado resulta a infelicidade''
"Desta maneira devemos discriminar cuidadosamente, praticando o verdadeiro bem e desistindo do verdadeiro mal. Assim consideramos algo simples e humilde como bom e puro.
[11Cap4](extraido de"Shobogenzo Zuimonki"de Eihei Dogen Zenji)

Rafael Yôkô [19/11/2008 - 16:57:37]


SOBRE A FALA CORRECTA
Um velho ditado popular ensina: ''Antes de falar, pese três vezes o que vais dizer'' Significa que, antes de abrirmos a boca, devemos calcular três vezes o alcance de nossas palavras. Os confucionistas ortodoxos interpretam isto como pensar três vezes antes de falar ou fazer algo. Mas com ''três vezes'' sábios da Dinastia Sung queriam dizer ''freqüentemente''. Aconselhavam-nos a pesar freqüentemente nossas ações antes de as levarmos a cabo. Isto é o que deve acontecer com praticantes Zen. As vezes podemos nos equivocar no julgamento de palavras ou ações. Então devemos ponderar profundamente se o que vamos fazer é identificado ou não com o Caminho, e em segundo lugar se é benéfico para nós mesmos e para os demais.
[10Cap4](extraido de"Shobogenzo Zuimonki"de Eihei Dogen Zenji)

Evandro Seidô _/\_ [18/11/2008 - 20:37:40]


Perfeição

Certo dia um Mestre falava para seus alunos sobre a natureza da Perfeição. Um dos discípulos, céptico quanto à possibilidade de poder realmente algo chegar à perfeição concretamente e incapaz de compreender o sentido do que o Mestre falava, observou próximo ao grupo um cesto de maçãs e disse ironicamente:
"Mestre, fiquei fascinado com sua explicação sobre a Perfeição. Poderia o senhor, para ilustrar o que acabou de dizer, me dar uma maçã perfeita?"
O Mestre calmamente olhou dentro da cesta, retirou uma maçã e entregou ao aluno. Pegando-a, este viu que a fruta estava com uma parte podre num dos lados. Olhou para o professor e disse arrogante:
"Essa é a perfeição de que fala? Esta maçã tem uma parte podre!"
"Sim," replicou o Mestre. "Mas para teu nível de compreensão e discernimento, esta maçã podre é o máximo de maçã perfeita que poderás obter..."


Conto Zen

Seidô _/\_ [17/11/2008 - 17:33:01]


O Corajoso General

Havia um certo general chinês, que em batalha liderou seus homens com coragem e destemida força. Nada podia levá-lo a sentir medo, pois sua convicção era inabalável. Certo dia ele estava em casa, tomando chá usando sua mais adorada relíquia, uma bela xícara de porcelana finamente decorada. Ele era profundamente apegado àquela peça, e a estimava muito. Quando fez o gesto de colocá-la na mesa sua mão vacilou e a xícara começou a cair ao chão. Terrificado com o temor de que a peça se quebrasse, o general lançou-se ao chão e no último momento conseguiu pegá-la.
Ainda tenso, tremendo e suando frio, o general pensou:
"Liderei homens em terríveis guerras e passei por momentos assustadores na vida sem jamais vacilar! Como é possível que eu sentisse tanto temor por causa de um pequeno objeto de porcelana?!?"
Então o general percebeu plenamente a natureza de seu apego na vida. Neste momento, largou a xícara ao chão, voltou-se para uma vida contemplativa e abandonou a violência e a paixão ignorantes.


Conto Zen

Rafael Yôkô [14/11/2008 - 11:26:09]


ZEN,VAJRAMUSHTI,YOGA,....
Em 496, o imperador Hsiao-wen ordenou a construção do Templo Shaolin no Monte Sung, na Província de Honan ao sudeste de Loyang. O templo, que ainda existe(principalmente como atração turística), foi construído para outro mestre de meditação da Índia, e não para Bodhidharma. Embora mais mestres zen passaram pelo templo nos últimos 1.500 anos, Bodhidharma é o ÚNICO monge que qualquer historiador buddhista associa com Shaolin. Foi aqui, no Pico Shaoshih ocidental do Monte Sung, que se diz que Bodhidharma passou 9ANOS em meditação, de frente para parede de pedra de uma caverna a cerca de uma milha do templo. Shaolin mais tarde tornou-se famoso como centro de treinamento de monges em KUNG-FU, e Bodhidharma é honrado como o FUNDADOR dessa arte igualmente. Vindo da Índia, sem dúvida ele também instruiu seus discípulos em alguma forma de YOGA. O ex-príncipe Bodhidharma conheceu Prajnatara, como um mestre de VAJRAMUSHTI, a arte marcial da antiga Índia. Depois, ele descobriu que Prajnatara também era um mestre do DHARMA de Buddha, pelo qual se interessou ainda mais.
(Texto traduzido por ShinZen)

Rafael Yôkô [13/11/2008 - 12:56:48]


UMA ÚNICA SANDALIA
Na Transmissão da Lâmpada, Tao-yuan diz que logo depois que Bodhidharma transmitiu o patriarcado de sua linhagem para Hui-k’o, Bodhidharma morreu em 528 no quinto dia do décimo mês, envenenado por um monge ciumento. Tao-yuan somente diz, em sua biografia muito mais antiga, que Bodhidharma morreu nas margens do rio Lo e não menciona a data e a causa da morte. De acordo com Tao-yuan, os restos de Bodhidharma foram enterrados perto de Loyang no templo Tinglin na Montanha Orelha de Urso. Tao-yuan também diz que três anos mais tarde um oficial encontrou Bodhidharma caminhando nas montanhas da Ásia Central. Ele estava carregando um cajado no qual estava pendurada uma única sandália, e ele disse ao oficial que ele estava voltando para a Índia. Relatos desse encontro levantaram a curiosidade dos outros monges, que finalmente concordaram em abrir a tumba de Bodhidharma. Tudo que eles encontraram dentro foi uma única sandália, e desde então Bodhidharma tem sido representado carregando um cajado no qual se pendura a sandália faltante.
(Texto traduzido por ShinZen)

Rafael Yôkô [12/11/2008 - 23:07:49]


NÃO É FACIL SABER ONDE O BUDDHISMO TERMINA E A CULTURA ASIÁTICA COMEÇA,
nem distinguir as doutrinas originais e autênticas de Buddha do que foi acrescentado depois por pessoas com menos perspicácia. Como resultado, muitos americanos e europeus acreditam genuinamente que o budismo é sobre adorar o buda, ou se curvar e usar togas, ou trabalhar em si mesmo num transe, ou mesmo se sair com respostas a: enigmas difíceis, ou encarnações passadas e futuras.
"O BUDDHISMO não é sobre essas crenças e práticas. As observações e verdades de Buddha são claras, práticas e eminentemente concretas. Elas lidam exclusivamente com o aqui e agora, não com teoria, especulação, nem crença em algum tempo ou lugar distante. Porque essas doutrinas permanecem focalizadas neste momento — assim como você está lendo isto — elas permanecem pertinentes e de profundo valor a toda cultura e pessoa que as investiga seriamente.
(Extraido de BUDDHISMO CLARO E SIMPLES de Steve Hagen Sensei)

Evandro Seidô _/\_ [10/11/2008 - 20:47:54]


Quem é você?

O Mestre Ma-ku certa vez chamou seu discípulo:
"Liang-sui!"
O outro monge respondeu:
"Sim?"
Ao ouvir essa resposta, o mestre novamente chamou:
"Liang-sui!"
O monge disse:
"Pronto!"
Pela terceira vez o mestre falou:
"Liang-sui!"
O discípulo, intrigado, replicou:
"Estou aqui, mestre."
Após uma pausa sem nada dizer, o sábio exclamou para seu aluno:
"Quão tolo tu és!"
Ao ouvir isso Liang-sui teve o Satori, e afirmou:
"Mestre, já não mais me engano. Se não tivesse buscado a vós como mestre, eu teria sido levado miseravelmente, durante toda minha vida, a permanecer preso aos sutras e aos sastras!"
Mais tarde, alguns companheiros de Liang-sui perguntaram-lhe:
"O que sabes sobre a filosofia de Buddha?"
Liang-sui respondeu:
"Tudo o que sabeis eu também sei. Mas o que sei nenhum de vós sabeis."

Conto Zen

Michel Seikan _/\_... [09/11/2008 - 22:07:30]



"Sua tarefa é descobrir seu caminho e, então, com todo o coração, dedicar-se a ele." (Buddha).

Rafael Yôkô [06/11/2008 - 01:13:46]


A LIBERTAÇÃO
Muitos de nós agem como se pudessem achar satisfação no simples fato de ter bastante dinheiro,segurança,respeito,amor,fé, educação,poder,paz,conhecimento,ter alguma coisa.
Porém,há outros dentre nós que não se deixam levar por isso. Eles sentem que a segurança real é impossível de alcançar.Pois sabem que,mesmo que pudéssemos acumular tudo o que desejamos, isso seria inevitavelmente tomado pela morte.Nossa mortalidade assoma à nossa Frente,tão terrível quanto certa.Parecemos totalmente perplexos.Como podemos ter paz nessas circunstâncias?
Não só nos sentimos aprisionados pela nossa ignorância,mas parecemos condenados a continuar assim.Como disse Yang Chu,o filósofo chinês do século IVaC:
Passamos pelo mundo numa trilha estreita,preocupados com coisas insignificantes que vemos e ouvimos,remoendo nossos preconceitos,passando pelas alegrias da vida sem sequer saber que perdemos algo.Nunca por um momento provamos do vinho estonteante da liberdade.Estamos verdadeiramente presos,como se estivéssemos no fundo de um calabouço,atados a cadeias.
Qual é o problema humano básico que nenhum remédio aparente pode curar?Qual é o objetivo da nossa existência?Como podemos compreendê-la como um todo?E,no entanto,não seria o conhecimento do Todo,o conhecimento que não é relativo,nem dependente de condições mutáveis,precisamente o que seria necessário para nos libertar das dúvidas e dilemas que nos causam tanta dor e angústia?
Ansiamos por estar livres de nossa confusão e descontentamento,por não ter de viver nossa vida acorrentados impotentemente à incerteza e ao medo. No entanto,não percebemos com freqüência que é precisamente nosso estado mental de confusão que nos ata.
Há um modo de ir além dessa ignorância, pessimismo e confusão, e ter a experiência da Realidade como um Todo,em vez de compreendê-la.Essa experiência não está baseada em nenhuma concepção nem crença;é a própria percepção direta.É ver antes que os sinais apareçam,as idéias surgiriam,antes que se caia no pensamento.
Isso é chamado iluminação.Não é mais nem menos do que ver as coisas como são,em vez de como nós queremos ou achamos que sejam.
Essa libertação da mente,essa consciência direta da Realidade como um Todo,é totalmente acessível a qualquer um que queira prestar atenção à sua experiência real.
Vinte e cinco séculos atrás,na Índia,um homem chamado Gautama passou por essa libertação.Ele dedicou o resto de sua vida a ensinar aos outros como conseguir a mesma liberdade da mente. Depois que ele despertou da ignorância nefasta que o impedia de saber o que de fato estava acontecendo,ele se tornou conhecido como Buddha,o desperto.
Quando o Buddha foi solicitado a sintetizar sua doutrina numa única palavra,ele disse"Consciência".Não a consciência de algo em particular,mas a consciência em si,estar desperto,alerta,em contato com o que de fato está acontecendo.E sobre examinar e explorar as questões mais básicas da vida.É sobre contar com a experiência imediata deste momento presente.Não é sobre crença, doutrina,fórmulas nem tradição.Ë sobre a liberdade da mente.
(extraido de BUDISMO CLARO E SIMPLES de Steve Hagen Sensei)

Rafael Yôkô [05/11/2008 - 11:11:34]


O MAL SE DETERÁ SE PRATICARMOS INCESSANTEMENTE
Houve alguém que afirmou''O sol e a lua possuem brilho próprio, mas às vezes ficam obscurecidos por nuvens passageiras que os encobrem. As orquídeas querem ficar eretas, mas o vento forte do outono pode dobrá-las'' Estes ditos podemos encontrá-los no Livro de Cheng-kuan Cheng-yao: são uma parábola de um rei benevolente e sábio e seus súditos maliciosos. Mas o significado desta parábola pode ser alterado: eu digo agora que as nuvens vadias não cobrem jamais o sol ou a lua, mas com o tempo vão embora; e mesmo que o vento chegue a vergar as orquídeas, flores fragrantes finalmente desabrocharão. De forma similar, súditos maliciosos não enganarão o rei, se este último tiver sabedoria. Tudo isto vale para os praticantes Zen de hoje em dia, ou seja, não importa quantas vezes surja o mal em nossas vidas contra nossas vontades, este se deterá se praticarmos incessantemente durante um vasto período de tempo. Assim como as nuvens vadias se esvaem e o vento do outono cessa.
[7Cap4](extraido de"Shobogenzo Zuimonki"de Eihei Dogen Zenji)

Evandro Seidô [04/11/2008 - 22:05:37]



O Real Imaginário

Um monge perguntou a Yen-kuan:
"Quem é realmente Vairochana Buddha?"
"Por favor," replicou Yen-kuan, "passe-me aquele jarro d''água."
O monge esticou o braço, pegou o jarro e o colocou na frente do outro. Yen-kuan então disse:
"Pode recolocá-lo no lugar original, por favor?"
O monge fez isso, sem comentários. Após um momento ele perguntou novamente a Yen-kuan:
"Quem é realmente Vairochana Buddha?"
O mestre respondeu:
"A venerável divindade esteve aqui, mas já retornou ao seu lugar."

Conto Zen

Evandro Seidô _/\_ [03/11/2008 - 15:33:20]




ISSO TAMBÉM PASSARÁ


Um praticante foi até o seu professor de meditação, tristemente, e disse:
"Minha prática de meditação é horrível! Ou eu fico distraído, ou minhas pernas doem muito, ou eu constantemente fico com sono. É simplesmente horrível!!!!"
"Isso passará," o professor disse suavemente.
Uma semana depois, o estudante retornou ao seu professor, eufórico:
"Minha prática de meditação é maravilhosa! Eu sinto-me tão consciente, tão pacífico, tão relaxado, tão vivo! É simplesmente maravilhoso!!!!!"
O mestre disse tranqüilamente:
"Isso também passará."


Conto Zen

Michel Seikan _/\_... [02/11/2008 - 21:57:16]



Prática para despertar.

A prática que aumenta a nossa capacidade de beneficiar outros seres é a mesma que traz o despertar.

Chagdud Tulku Rinpoche (1930-2002).

Michel Seikan _/\_... [01/11/2008 - 22:44:45]



O Zen é prático, comum e ao mesmo tempo subitamente vivo. Um mestre antigo, quando desejava mostrar o que era o Zen, erguia um dos dedos. Com outro chutava uma bola de gude e com um terceiro dava um tapa no rosto de quem perguntava. Se a verdade interna, que jaz profundamente em nós, é assim demonstrada, não será o Zen o método mais direto e prático jamais tentado por qualquer religião? Não será este método prático um método original? Na verdade, o Zen não pode ser nada mais do que original e criador. Recusa-se a tratar com conceitos e somente trata com os fatos vivos da vida. Quando compreendido ao pé da letra, o elevar de um dedo é um dos episódios mais comuns da nossa vida. Mas, quando encarado do ponto de vista do Zen, este gesto vibra com significação divina e vitalidade criadora. Desde que o Zen possa apontar esta verdade no meio de toda nossa existência convencional e amarrada a conceitos, forçoso é concordar que tem a sua razão de ser.

do livro "Introdução ao Zen-Budismo
de Daisetz Teitaro Suzuki.