FAQ
(Frequently Asked Questions)

1. Como manter as pessoas estimuladas, num projeto, ao grau máximo, sem esgotá-las, a longo prazo??? Vi que a competitividade é um componente importante, sendo apontado, inclusive, por seu efeito sobre o psiquismo. Mas, esses estímulos "fortes" podem causar um esgotamento a médio prazo. E então, o que fazer nesse caso? (Apenas: como se mantém a estimulação no pico máximo?!)
Fernando Falabella Tavares de Lima, Psicólogo (www.netpsi.com.br), SP.

Resp.: Creio que esta questão está bem colocada. Talvez fosse melhor dizer: "manter a excitação em um máximo suportável a longo prazo" . Na realidade o processo de lutar por metas apresenta variações para mais e para menos durante seu trajeto, não existe uma excitação máxima absoluta. Isto é bem perceptível em todas as atividades esportivas. Apesar dos prêmios e competições há uma variação que os treinadores tem que lutar para corrigir. Não será diferente em outras atividades humanas. Será verdadeiro também que, após certo tempo, alguns participantes questionem seus propósitos finais na vida. Eles escolherão outros caminhos. Mas o organismo e desempenho de uma empresa prevê a substituição regular dos participantes que não desejam mais aquela tarefa. Do ponto de vista pessoal recolher-se a um mosteiro é válido, do ponto de vista da empresa trata-se de uma substituição.

 

2. A punição, como reforçador negativo, foi algo que me incomodou!!! Ela é indispensável??? Não há como trabalhar utilizando, tão somente, o reforçador positivo, as recompensas, etc???
Fernando Falabella Tavares de Lima, Psicólogo (www.netpsi.com.br), SP.

Resp.: Parece que teoricamente sim. Pelo menos em Walden II, Burrus Skinner faz alguma tentativa imaginária. Mas ele imagina reforços positivos perfeitos desde a primeira infância. Na prática social temos que considerar o papel dissuassório também. Há um sentimento de justiça nas pessoas, tenho observado isto. É negativo quando um companheiro é desonesto, por exemplo, e a empresa não toma nenhuma providência. Os honestos sentem-se tolos. Temos uma boa resposta a esta pergunta no sistema fiscal brasileiro, as freqüentes anistias transformam os bons pagadores em otários e os sonegadores contumazes em premiados com descontos e prazos. Estes estímulos inversos ensinam a conduta que a sociedade não desejaria. Portanto é necessário sim, demonstrar que o procedimento que não queremos será punido. No exemplo, com multa aos faltosos e benefícios aos pontuais.

 
3. Apesar dessa flexibilidade toda que é exigida, os recrutadores partem do diploma e/ou da formação técnica para selecionar as pessoas. Os anúncios não pedem habilidades, mas títulos... Para um primeiro contato, no mais das vezes não é levado em conta o que a pessoa tem a oferecer, independentemente do curso em que se formou (o que ela tem a oferecer pode ter sido obtido de outras fontes além do dito curso...).
Isabel Pagano (ipagano@mpc.com.br)

Resp.:
É verdade, isto provém do fato de que é necessário ter alguns critérios de seleção para filtrar candidatos. A resposta para superar o filtro é enviar um trabalho que chame a atenção para as competências adquiridas de forma não convencional. Como cito no livro, Einstein foi recusado como professor de física em duas universidades por não ter títulos...
 
4. Não estou inserida no mercado de trabalho "comum" (explico: como "multitarefa" autônoma, dependo de mim mesma para dar rumo às minhas atividades e para colocar meu potencial na ativa), mas já estive, saí, quis retornar e foi então que percebi como as estruturas são engessadas: procuram-se funcionários muito mais pelo título, conferido por um diploma que ele possa apresentar, do que pelo seu potencial e pela sua experiência. Por exemplo: eu sou formada em Letras e em Linguística, mas já fiz tanta coisa na minha vida, gosto tanto de aprender coisas novas, que tenho certeza de que posso me sair bem em pelo menos uma dúzia de atividades que pouco têm a ver com dar aula de português ou fazer traduções... :))) Mas ai de mim me aventurar a um cargo de, digamos, relações públicas, ou assistente de treinamento... Quis fazer esse comentário porque gostaria de saber sua opinião a respeito. Imagino que fuja um pouco da sua área, mas por acaso você já escreveu alguma coisa sobre isso?
Isabel Pagano (ipagano@mpc.com.br)

Resp.: Creio que aí precisa haver criatividade também no recrutamento. Quem se lançasse a uma seleção baseada em critérios não convencionais talvez colhesse alguns gênios por aí espalhados. Quando se precisou de gente para conceber o primeiro computador inglês, destinado ao cálculo de tabelas de tiro para artilharia, pediu-se bons alunos de matemática que fossem também exímios enxadristas, este modelo deu bons resultados.
 
5. Talvez seja um comentário absolutamente dispensável (e talvez não tenha nada a ver com empresas) mas, vá lá... :) : Acho que grau de dificuldade conta, juntamente com o lapso temporal. É mais fácil pensar a longo prazo quando o que está em jogo não é exatamente um sacrifíicio. Por exemplo, fechar a torneira ao escovar os dentes, para poupar água para as gerações futuras, demanda menos esforço do que trabalhar no esquema do lavrador ucraniado citado, pelo bem das gerações futuras... :) Claro que nesse caso também está em jogo alguma forma de recompensa (aceitação social, paz de espírito, etc).
Isabel Pagano (ipagano@mpc.com.br)

Resp.: O ponto que eu queria ressaltar é quanto estas condutas de prêmio a longo prazo são menos efetivas. Uma educação com grande consciência social deve dar seus frutos, mas demanda também um investimento que se mede em gerações.