Capítulo 6
Recompensas e Seu Oposto
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Sim, não escrevi "recompensas e punições". Pelo menos no título, quero evitar esta palavra. Estou convicto de que o reforço positivo é muito superior ao negativo. Estou em boa companhia: Piaget, Montessori, Neil e muitos outros educadores defenderam esta idéia. Mas nossa sociedade não assimilou muito bem. À nossa volta se constroem cada vez mais prisões, e isto significa que não bloqueamos as condutas anti-sociais a tempo. Quero contar algumas pequenas experiências e depois veremos sua ligação com o tema deste livro, os interesses coincidentes e sua aplicação no mundo empresarial.

O Metrô Holandês

Estamos na Holanda, no interior de um metrô. Para um brasileiro, é uma experiência diferente - após comprar o bilhete, anda-se pela estação à procura da roleta, que não existe. Muito bem, devem pedir-me o bilhete dentro do vagão, como antigamente nos bondes brasileiros, ou nos trens daqui ainda hoje. Dentro do vagão, nada além de uma máquina para autenticar o horário no bilhete. Na parede, um aviso em cinco idiomas: "Este é um carro de auto-serviço, certifique-se de que você está de posse de um bilhete válido para o trecho que está percorrendo, se você for encontrado sem o bilhete está sujeito a uma multa de ......, sem prejuízo do processo penal correspondente".

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Esta é uma citação de memória, uma tradução livre, mas o espírito é este mesmo, um grande castigo para uma falta aparentemente pequena. Todo mundo sabe que é para valer. Minha filha foi apanhada sem a caderneta escolar em um strassen bahn, um bonde, em Colônia, na Alemanha, e foi obrigada a pagar a multa.
Qual o espírito da coisa? Por que praticamente ninguém arrisca a punição? A resposta está na teoria dos jogos: o criminoso também faz uma conta de risco, ele se pergunta se vale a pena arriscar o castigo e qual é a probabilidade de que isso venha a ocorrer. Se o castigo for grande mas a chance de ser apanhado muito pequena, pode compensar. Se a chance é grande mas a punição insignificante, idem. Tudo isto é senso comum, mas sua aplicação está longe de ser executada em nosso ambiente.
Se a probabilidade de alcançar um faltante é baixa, o castigo deve ser extremamente severo, assim a conta de custo-benefício acaba não sendo compensadora. Este é o sistema do metrô holandês, onde verificações aleatórias são realizadas; elas são raras, mas não há perdão para o faltoso. O resultado é que não há roletas nem cobradores, e os custos são mais baixos. Parte-se do princípio de que o cidadão é honesto e não precisa ser verificado a toda hora.
Quando explico isto, sempre aparece alguém para dizer que a cultura é outra, é outro povo, etc. Não é bem assim. Eles são seres humanos iguais, reagem da mesma forma, um holandês que sabe que não tem chance de ser pego pelo imposto de renda também sonega, um alemão faria a mesma coisa. Se você vive, no entanto, em um clima de baixa tolerância, automaticamente sobe seu comprometimento com a lei. Este sistema foi chamado em Nova York de "tolerância zero"(8). Mesmo as menores infrações passaram a ser vigiadas, este clima evita comportamentos piores e os crimes mais sérios também diminuíram dramaticamente.

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8. A chamada "tolerância zero" não significou a retirada do poder discricionário da polícia. Neste sentido é mais uma frase propagandística que uma atitude de intolerância total. voltar ao texto