Capítulo 4
Metas
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Estava, certa vez, fazendo uma palestra para diretores de empresa, em uma estação termal, em Santo Amaro da Imperatriz, no Estado de Santa Catarina. O pessoal estava um pouco nervoso porque um novo plano econômico havia acabado de desabar sobre o país. Mas o que me lembro melhor foi a dúvida manifestada por um participante:
- Olhe, não acredito que metas sirvam de estímulo! Parei de falar por uns momentos. Quando alguém na platéia manifesta uma dúvida, esta não é só dele. Achei melhor mostrar com uma experiência como nós, seres humanos, operamos, e pedi a todos:
- Antes de responder, vamos todos pegar um pedaço de papel e uma caneta. Enquanto todos se aprestavam, fui ao quadro e fiz uma linha assim //////////////////.
- Agora vou marcar 20 segundos enquanto vocês repetem estas linhas aí no papel. Decorrido o tempo, pedi a todos que contassem quantos riscos haviam sido feitos, em média uns 40, como revelou a amostragem. - Bem, escrevam aí ao lado quantos traços vocês fizeram. E agora me digam: dá para fazer mais? Se é possível, escrevam abaixo quantos riscos vocês se propõem fazer em 20 segundos. Prontos? Contados, verificamos que a média havia subido para aproximadamente 80 traços.

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- Gente. Tem alguém aqui nesta platéia que é o melhor, o mais hábil com a caneta, o mais criativo em achar nova maneira de trabalhar. Para ele, vou dar 20 reais que estou tirando do bolso e estão aqui, à vista, presos no quadro. Prontos? As cabeças se baixaram, sorrisos de desafio foram feitos e algumas piadas amenizaram a súbita tensão que se criara. Contados os traços, chamei à frente o campeão, com 123 riscos traçados, para receber o prêmio e as palmas de todos. Quando os comentários cessaram, expliquei:
- Na primeira fase, todos trabalharam como em geral se faz em qualquer lugar, Diz-se ao funcionário que sua tarefa é esta, ele trata de executar. Na segunda vez, vocês estabeleceram metas e, na terceira, havia prêmios e competição envolvidos. Deveríamos nos perguntar porque trabalhamos por tarefa e esquecemos como os seres humanos reagem a metas e prêmios. Olhem nos seus papéis e vejam a diferença de produtividade. Alguém ainda acha que metas não funcionam?
Espero que depois desta pequena história nenhum dos meus leitores tenha a menor dúvida. Pelo menos, na assistência, ninguém tinha. É verdadeiramente incrível que tanto potencial humano seja desperdiçado. Mas para termos metas funcionando bem, precisamos de pelo menos três requisitos:
1) Credibilidade.
2) Factibilidade.
3) Controle.

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