Capítulo 13
Sistemas de Treinamento
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Um violino tem quatro cordas. Quando vibradas, através da fricção de um arco guarnecido de crina de cavalos, elas produzem sons. Esses sons não são muito fortes, mas, quando amplificados por uma caixa de ressonância, muito bem construída, podem soar belos e intensos. A confecção da caixa incluiu refinamentos como diferentes madeiras para o tampo e o fundo, e até um dispositivo minúsculo chamado "alma", que ao ser ligeiramente movido, muda o caráter do timbre.
Nas mãos de um grande executante, o resultado é espetacular e, ao mesmo tempo, se for tocado por um iniciante sem sensibilidade, um violino pode ser um instrumento de tortura.
Qual é a diferença entre o iniciante de talento e o virtuose? É o treinamento. Da mesma forma acontece nas outras atividades humanas. Ocorre, porém, que não ficamos atentos ao mau trabalho. Não reclamamos da péssima execução. Toleramos que o mundo ande desafinado. Mas as empresas têm a possibilidade de treinar, formar, afinar os seus instrumentistas. Podem reciclar tudo.
A primeira coisa para qual devemos atentar é para o fato de que não podemos mais esperar que a sociedade nos forneça trabalhadores treinados adequadamente. O principal motivo para esta alteração é a aceleração das mudanças. O sistema escolar foi iniciado para atender às necessidades de um mundo que se industrializava. La Salle(27), por exemplo, compreendeu que podia reunir seus alunos em classes, montar uma produção em escala de alunos educados, e isto era bem diferente do método de preceptores que os aristocratas usavam.

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Os únicos que tinham escolas há séculos eram os judeus, sendo um povo do "livro" tinham que ensinar seus meninos a ler. Praticavam o ensinamento da leitura em escolas, as yeshivás, e a vantagem que obtiveram com essa conduta foi esmagadora. Durante toda a Idade Média, os judeus foram o único grupo étnico que tinha instrução regular. Não é de se admirar que fossem odiados pelo seu sucesso. Eram os matemáticos, os astrônomos, os financistas, os médicos. Até hoje certa vantagem permanece, uma vez que metade dos prêmios Nobel de medicina foi concedida a judeus. Nos Estados Unidos, houve universidades limitando a percentagem de alunos israelitas, uma discriminação incrível, uma "ação afirmativa" ao contrário(28).
Mas este sistema de produção industrial da educação está hoje em agonia. Tem sérios defeitos para as necessidades atuais. Na época em que foi criado, uma instrução padrão facilitava tudo. As habilidades que, em geral, se faziam necessárias eram as mesmas. A escola funcionava como uma fábrica, produzia alunos disciplinados, uniformemente treinados, habituados a rotina e horário. Tudo que a indústria demandava.
A mudança atual exige pessoas de competências diferentes e complementares, criativas, flexíveis, capazes de pensar e, de preferência, não conformistas. Pelo contrário, precisa-se de seres mutantes. Precisamos de violinistas capazes de executar diferentes partituras.

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Seja orquestra ou empresa, precisamos de gente capaz de adaptar-se continuamente a alterações que se sucedem com grande rapidez. Mas os governos só conseguem montar um sistema escolar do tipo industrial, podendo concentrar-se apenas no que é básico. Quando o funcionário chega à empresa, precisa ser treinado. Mais ainda, como as circunstâncias, equipamentos, tudo, se altera sem parar, o treinamento precisa ser ininterrupto. Portanto, a empresa deve procurar admitir pessoas com boas habilidades básicas e ter um sistema permanente de treinamento voltado para suas necessidades.
Até agora, as empresas, com as exceções de praxe, têm imaginado que treinar é contratar palestras, cursos, seminários, e dar aos empregados a oportunidade de assistirem. O resultado é um treinamento descosido, um retalho de teorias e de conhecimentos que não se aplicam à vida real da organização. Como palestrante, já ouvi de um grupo de gerentes a seguinte frase:
- Olhe, nós estamos adorando o que o senhor está dizendo. Mas quem tinha que estar aqui ouvindo é nossa diretoria, vamos aprender tudo isto e, quando voltarmos, vai ficar tudo como está. Na realidade, o treinamento só estava servindo para demonstrar a eles como a empresa era mal dirigida. Os diretores imaginavam que eles não precisavam aprender nada, qualquer problema estava ali, na cabeça dos subordinados.
Sendo assim, vamos imaginar como deveria ser um sistema adequado. Ele deve, sim, estar de acordo com o princípio dos interesses coincidentes. Senão, teremos aqueles caríssimos treinamentos que são encarados como férias pelos alunos. Hotéis, (para tirar os funcionários do ambiente), esportes (para que aprendam a trabalhar em equipe) e, no fim, um resultado prático impossível de ser medido.

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27. La Salle, criador da ordem Lassalista. Concebeu as classes múltiplas, criando um sistema originalmente dedicado aos pobres. Com o tempo suas escolas transformaram-se em instituições voltadas para a classe média ascendente. voltar ao texto

28. História Universal dos Judeus. voltar ao texto