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Capítulo
11
O Quarto Princípio
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Metas por si mesmas funcionam como estímulos.
As imagens mentais são poderosas fontes de acontecimentos. Um homem que
deseja algo costuma imaginar-se de posse do objeto de sua ambição. Naturalmente,
ocorre-lhe imaginar quais passos deve empreender para alcançá-lo. Tudo
se torna tão real em sua mente que suas palavras passam a expressar seus
sonhos. As palavras movem as pessoas ao seu redor e oportunidades de realização
tendem a aparecer. Quando as condições para agir estão maduras, ele também
está. Aquilo a que chamamos de sorte não passa, muitas vezes, da capacidade
de estar apto a aproveitar a oportunidade quando ela surge. Nesse momento,
a imagem mental, o mero pensamento, transformou-se em realidade.
Dessa forma, os acontecimentos previstos podem tornar-se um fato apenas
pelo poder do que chamamos de profecias auto-realizáveis. Todos esperam
uma dada coisa, por isso agem como se essa coisa fosse acontecer e o resultado
é o acontecimento esperado. Este fenômeno é muito comum no jogo das bolsas.
Alguém diz que tal ação vai subir, alguns acreditam e passam a comprá-las,
as ações sobem, cumprindo a profecia, que também, é lógico, funciona no
sentido oposto.
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Lembro-me da resposta de um famoso montanhista. Perguntaram-lhe:
- Por que você pretende subir esta montanha? Ele respondeu:
- Porque ela está lá.
O que acontecia é que ele havia criado uma imagem mental de desafio. Queria
estar lá no alto do pico, ver a paisagem a seus pés, saber que havia superado
seus limites. Após haver acalentado o sonho, energias internas se põem
em ação, e ele um dia se vê com a montanha inteira abaixo de si. É difícil,
então, precisar cada pequeno passo que o levou até ali. Mas ele chegou.
Tudo começou com a imagem mental que ele foi incrementando ao longo do
tempo.
As vitórias se iniciam assim. Os crimes também. Pequenos conceitos acumulados
vão transformando uma sociedade. Uma tolerância aqui, uma impunidade acolá
e, de repente, nos surpreendemos com a existência da criminalidade. Ela
começa aqui mesmo, dentro das mentes de todos. Dos sonhos e infrações
coletivos. De uma construção cultural. De valores que vamos introjetando,
tais como a colocação da posse de bens materiais como objetivo último
e medida do sucesso de um indivíduo. Se tivéssemos uma sociedade em que
os heróis fossem aqueles que houvessem superado o seu ego... Ou em que
pessoa admirada fosse aquela que não se deixa levar pelas emoções de raiva...
Então os hábitos de pensamento tenderiam a ser diferentes. Os objetivos
pessoais outros e também a sociedade se tornariam mais pacíficos.
Parece utopia que haja sociedades capazes de ter baixíssima transgressão,
mas não é. Numerosos estudos antropológicos, ou as simples estatísticas,
demonstram que as sociedades budistas do sul da Ásia, que valorizam o
comportamento pacífico, tendem a ter menor índice de agressões que nossos
grupos competitivos ocidentais.
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