Capítulo 10
O Terceiro Princípio
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3) Quanto mais baixo o nível intelectual, pior a reação a estímulos de longo prazo.

Sobre este ponto, ouvi uma vez a seguinte observação: "Quem pode dizer que o nível intelectual de um determinado subordinado é baixo? Nem sabemos mais como definir nível de inteligência, tantas são as contestações a respeito. Devemos mudar essa afirmação para nível organizacional!" Acedi que deveríamos considerar os níveis organizacionais para definirmos o tempo de premiação, pois é evidente que na prática não há outro meio. Não está na realidade errado, visto que, em geral, existe uma correspondência entre o preparo intelectual e o extrato em que os indivíduos conseguem se fixar. O princípio é que deve ser expresso assim, porque a verdade objetiva é essa. Difícil ou não de ser estabelecida, é a capacidade imaginativa, de previsão, que dá a uma pessoa condições de visualizar o futuro.
Pegue uma folha de papel. Dobre-a ao meio, repita a operação quatro vezes. Você terá uma dobradura com aproximadamente dois milímetros de espessura. Agora saia e pergunte a meia dúzia de pessoas o seguinte:

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- Dobrei esta folha ao meio 4 vezes, obtive uma pilha de papel de 2 milímetros. Me diga, por estimativa, quanto você acha que terá de altura a pilha de papel se eu tivesse uma folha suficientemente grande e a dobrasse ao meio 50 vezes? As respostas serão variadas. Normalmente, quando faço esta pergunta em treinamentos, elas variam entre 50mm e 1 metro. Dificilmente alguém, (em geral algum aficionado do jogo de xadrez) diz: Ah! Isto é uma progressão geométrica! Depois de deixar o problema flutuar um pouco, pela sala, eu explico:
- Pessoal, a resposta certa é: milhões de quilômetros. 40.000km são o suficiente para se dar a volta à terra. Com 400.000km, dá para se chegar à lua. Se vocês dobrassem uma folha de papel 50 vezes ao meio, isso bastaria para chegarmos a órbita do planeta Marte.
Experimente fazer a conta. 2 vezes 2, 46 vêzes.
Este pequeno problema demonstra a dificuldade da mente humana em fazer estimativas frente a problemas com os quais não tem experiência prévia. Quando se estabelece um estímulo com um prazo longo, a capacidade de imaginar o resultado no tempo faz com que as pessoas não visualizem o que sucederá ao final.
Tudo fica ainda mais complexo quando o número de variáveis envolvidas é grande. No nosso exemplo da folha de papel, apenas um cálculo está envolvido. Mas se tivermos uma série de eventos concomitantes, se tivermos fatores diversos influindo, a complexidade cresce geometricamente. Esta é a razão de não conseguirmos calcular o clima com precisão. As variáveis são muitas e pequenas influências tomam vulto desproporcional, ao longo do tempo. Foi este tipo de problema que ensejou o surgimento de um novo ramo da matemática, a matemática do caos.

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